Ibovespa Futuro sobe com exterior e em meio a expectativas sobre os programas do governo; dólar cai a R$ 5,50
agosto 28, 2020SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta sexta-feira (28) seguindo o desempenho das bolsas internacionais e com investidores atentos às novidades no front fiscal. A expectativa é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, leve ao presidente Jair Bolsonaro apenas a prorrogação do auxílio emergencial e deixe para depois o polêmico Renda Brasil.
Uma fonte ouvida pela Bloomberg disse que Guedes vem alertando Bolsonaro sobre os riscos em abandonar a austeridade fiscal e os dois, a princípio, concordam com a ideia. O ministro da Economia não sairia do governo enquanto este ponto estiver em entendimento entre os dois.
Lá fora, continua animando o mercado a nova diretriz de política monetária do Federal Reserve anunciada pelo presidente da instituição, Jerome Powell, na véspera. No entanto, no Japão, o índice Nikkei caiu forte com a renúncia do primeiro-ministro, Shinzo Abe.
Às 09h20 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para outubro tinha alta de 0,37%, aos 101.390 pontos.
Enquanto isso, o dólar comercial cai 1,25% a R$ 5,5077 na compra e a R$ 5,5092 na venda. O dólar futuro para setembro tinha baixa de 1,27%, a R$ 5,500.
Hoje, foi divulgado o Produto Interno Bruto da França do segundo trimestre, com queda de 13,8%. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico avançou 0,5% em julho sobre o mês anterior. Na Espanha, as vendas do varejo caíram 3,9% em julho ante o ano anterior, uma pequena melhora ante o resultado anterior.
Japão
Shinzo Abe, no cargo de primeiro-ministro desde 2012 de maneira ininterrupta, anunciou que renunciará ao cargo por motivos de saúde.
“Decidi renunciar do cargo de primeiro-ministro”, afirmou Abe, 65 anos, em uma entrevista coletiva na qual explicou que voltou a sofrer de colite ulcerosa, uma doença intestinal inflamatória crônica, que o forçou a deixar o poder em 2007. “Vou continuar cumprindo as minhas funções até que um novo primeiro-ministro seja nomeado”, completou.
Orçamento
O governo aumentou o valor que será previsto no Orçamento para a realização de obras de infraestrutura. Em vez dos R$ 5 bilhões que vinham sendo cogitados, o presidente Jair Bolsonaro optou pelo valor de R$ 6,5 bilhões, segundo O Globo. A decisão teria sido influenciada por pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Dos R$ 6,5 bilhões, R$ 3,3 bilhões terão o destino indicado por parlamentares aliados ao governo, pavimentando o caminho para a reeleição presidencial. Os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura devem receber R$ 1,6 bilhão cada.
A divergência sobre o valor destinado a obras públicas foi um dos motivos que causaram o adiamento do Pró-Brasil, que estava previsto para a última terça-feira. Embora o valor tenha ficado acima do que o ministro da Economia queria, o montante ficou dentro do teto de gastos.
Hoje, o mercado aguarda novas definições sobre o novo programa social do governo, chamado de Renda Brasil. Os atritos em torno deste assunto têm desgastado a relação entre Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes.
De acordo com a Folha, o impasse na elaboração do programa pode levar o governo a prorrogar o auxílio emergencial não apenas até dezembro, mas também nos primeiros meses de 2021.
Já segundo reportagem do Estado de S.Paulo, integrantes do governo de Jair Bolsonaro já admitem que o Renda Brasil pode ficar abaixo dos R$ 300 almejados pelo presidente. O programa social, que deve substituir o Bolsa Família, deve alcançar 17 milhões de famílias e não as 21 milhões previstas inicialmente.
O blog de Gerson Camarotti, do G1, por sua vez, aponta que a equipe econômica do governo chegou ao valor de R$ 300. Com isso, o anúncio do programa Renda Brasil ficaria para um segundo momento, já que a equipe econômica deve apresentar novos cálculos para que o presidente tome a decisão.
No entanto, o ministério da Economia avalia que o governo não tem os recursos para fazer esses pagamentos. Isso porque as regras fiscais seriam desrespeitadas, ou seria necessário fazer cortes em programas sociais existentes, algo que o presidente vetou.
Bolsonaro e os ministros envolvidos no assunto devem se reunir no Palácio do Planalto. A proposta de Orçamento para 2021 deve chegar à Câmara na próxima segunda-feira (31), prazo final para a entrega.
Repasse ao Tesouro
O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou o Banco Central a repassar R$ 325 bilhões das reservas de resultado cambial ao Tesouro Nacional para o pagamento da dívida pública.
De acordo com o Estado de S.Paulo, o valor ficou abaixo do que foi pedido pelo Ministério da Economia porque o BC se mostrou resistente à operação. Em nota divulgada nesta quinta, o conselho informou ainda que o valor a ser repassado pelo BC ao Tesouro poderá ser ampliado “caso haja necessidade”
O repasse é considerado necessário para garantir ao Tesouro maior conforto na gestão da dívida pública num momento de aumento de gastos e maior dificuldade para o País se financiar no mercado.
Com a crise, o colchão de liquidez do Tesouro, que é o caixa do governo para financiar a dívida pública, chegou ao mínimo recomendado. A secretaria, no entanto, não divulga o valor.
Radar corporativo
No ambiente empresarial, os investidores aguardam hoje os resultados do segundo trimestre da EDP Energias do Brasil e do IRB Brasil, após o fechamento do mercado.
Chama atenção também o pedido de abertura de capital da varejista Havan, que pode captar até R$ 10 bilhões para expandir seus negócios. A Cury Construtora, controlada pela Cyrela, também protocolou seu prospecto preliminar.
Já a Petrobras fechou a venda de campos terrestres no ES por US$ 155 milhões.
(Com Bloomberg e Agência Estado)
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