Como criar um negócio de sucesso? As lições dos donos da Arezzo, Kopenhagen e do Kondzilla

Como criar um negócio de sucesso? As lições dos donos da Arezzo, Kopenhagen e do Kondzilla

julho 16, 2020 Off Por JJ

Os empreendedores Kondzilla e Renata Vichi (Getty Images/Divulgação/Leo Albertino)

SÃO PAULO – Como uma empresa se torna referência em seu mercado? O que exemplos de sucesso tão diversos como um canal de funk com 58,9 milhões de inscritos, a maior empresa de calçados femininos do Brasil e o grupo que possui as principais marcas de chocolate do País têm em comum?

O painel “Transformação e superação: um painel com empreendedores brasileiros”, realizado nesta quarta-feira (15), na Expert XP 2020, trouxe algumas respostas. A palestra, mediada por Pedro Mesquita, diretor de Investment Banking da XP, contou com a participação de Alexandre Birman, presidente da Arezzo&Co, Konrad Dantas, fundador do Kondzilla e Renata Vichi, presidente do grupo CRM, dono das marcas Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau, Lindt Brasil e Kop Koffee.

Ambiciosos

Um dos pontos em comum que se nota entre os três definitivamente é a ambição, sentimento que todos eles evidenciaram ao falar do início de suas trajetória e das superações em momentos difíceis como o atual.

Para o fundador do Kondzilla, a ambição começou cedo, quando ele tinha só 11 anos. “Eu achava que não tinha intelectualidade para passar em uma universidade pública e para mudar isso, aos 11 anos, comecei a cantar rap e produzir minhas canções”. Aos 18 anos, sua mãe faleceu e, sozinho, o então garoto usou o dinheiro do seguro de vida deixado por ela para se mudar para São Paulo e estudar audiovisual.

De lá para cá, ele conta que os aprendizados que o transformaram no empresário que hoje agência mais de 80 artistas e é dono do terceiro maior canal de música do mundo, trouxeram uma visão muito clara sobre o que é empreender: algo bem diferente da visão glamourizada de acordar tarde e não dar satisfação ao chefe.

“Eu gosto de usar o exemplo do serralheiro. O cara consegue fazer as melhores esquadrias de alumínio, mas começa a ficar abarrotado de trabalho e pensa que, se está faturando ‘x’ vai contratar dez pessoas e ganhar ’10x’. É bem diferente disso, além de ser serralheiro, você vai virar empresário, que é uma outra atividade. Você vai ter que aprender a fazer gestão de pessoas, entender dos tributos, fornecedores, custos”, diz Dantas, ou Kondzilla, já que o nome da marca virou também seu codinome.

E o aprendizado é constante. O empresário, nascido e criado na comunidade Vila Santo Antônio, no Guarujá, recentemente ampliou seus negócios e criou um portal para amplificar as vozes de talentos da periferias. A empresa utiliza tecnologia para antecipar as tendências que se destacam nesses locais e criar conteúdos mais assertivos.

A história de Renata Vichi começa em um contexto bem diferente do de Dantas, mas logo cedo também. Ela é filha do empresário Celso Moraes, que comprou a Kopenhagen em 1996 e fundou o grupo CRM em 2009. Aos 16 anos ela pediu para trabalhar na companhia do pai e, em março de 2020, assumiu a presidência do grupo, que tem 855 lojas espalhadas pelo País.

“Minha mãe brinca que eu sou ‘britanicamente germânica’, tamanha a minha disciplina. E o empreendedor tem essa característica, de treino e foco excessivos. A gente tem que ter claro que se temos um limite, ele não deve nos limitar, ele só instiga a nossa visão de ir além. Eu sempre tive uma educação muito rígida, que agradeço muito aos meus pais, eu sabia que aquele pedido que eu tava fazendo de entrar lá, em 1998, vinha imbuído de muitas responsabilidades e ali eu adquiri uma visão sistêmica, com uma escuta ativa”, diz Renata.

Ela conta ainda que compartilha de um hábito comum entre vários empresários: ela acorda cedo – bem cedo -, às 4h40 e faz pelo menos dois treinos antes de iniciar o expediente.

A força do propósito

A disciplina, muito exaltada pelos três empresários no painel, também esteve presente em um dos momentos mais difíceis da vida de Renata. Quando ela estava grávida do seu filho, hoje com 13 anos, ela ficou internada no hospital, sem conseguir andar, por seis meses, e mesmo assim conseguiu implementar um projeto complexo de expansão das lojas da Kopenhagen.

“Hoje eu digo ao meu filho: se alguém falar que eu sofri por você, diga que existe uma diferença grande para o empreendedor entre sofrimento e sacrifício. Sofrimento não te leva a lugar algum, porque não tem um propósito, você sofre e não conquista nada. Sacrifício é algo que você faz por um bem maior. E eu estava muito conectada com meu filho, mas sabia que teria que ter resiliência para não abandonar também o meu sonho de fazer a expansão da Kopenhagen”, conta Renata.

O propósito citado por Renata é uma característica frequentemente exaltada por empresários de sucesso. Não à toa, Birman também passou por esse ponto ao falar sobre sua própria trajetória.

Assim como Renata, Alexandre Birman desde cedo se ligou aos negócios da família. Mesmo com a possibilidade de ir trabalhar na empresa do pai, a Arezzo, preferiu, aos 18 anos, fundar a Schutz, uma das principais marcas da agora holding Arezzo & Coo.

Birman diz que nunca teve dúvidas sobre onde queria chegar na sua jornada profissional e essa determinação, aliada ao trabalho diário para construção do seu sonho, foi fundamental para o sucesso dos seus negócios.

Para o CEO, muitos empreendedores no início começam a desenvolver suas ideias de maneira errada, pensando no dinheiro que o negócio pode render e não no seu propósito.

“Essa é a ultima pergunta que você deve fazer quando for empreender. A primeira pergunta é: Qual é o seu sonho? Qual é o legado? O que eu vou mudar na vida de alguém com esse produto, serviço que eu quero criar e, a partir daí, você persegue esse sonho. É lógico que as contas são importantes, mas ganhar dinheiro é uma consequência da edificação, da transformação de um sonho”, afirma.

Sobre sonho, conquistas, quebra de barreiras, Kondzilla tem muito o que falar. E fala bonito: “O recado é óbvio, mas sonhe muito alto e trabalhe duro. Ninguém quer saber se você teve privilégios ou não, faz parte do game. Espero que todo mundo na periferia se sinta representado de me ver aqui neste palco porque: ‘Favela, eu venci!’”

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