Petrobras paralisará pelo menos 45 plataformas, Gol fecha acordo com Boeing e Justiça bloqueia R$ 50 mi da Vale

Petrobras paralisará pelo menos 45 plataformas, Gol fecha acordo com Boeing e Justiça bloqueia R$ 50 mi da Vale

abril 15, 2020 Off Por JJ

(Bloomberg)

A Gol informou que chegou a um acordo para ser compensada financeiramente pela fabricante americana Boeing, por causa dos problemas no avião 737 MAX – desde o começo de 2019, a empresa ficou com sete aeronaves deste modelo fora de serviço, quando voos com o 737 MAX foram proibidos na maioria dos países após acidentes. Segundo a Gol, o acordo é confidencial, mas a empresa cancelou 34 dos 129 pedidos de 737 MAX que fez à Boeing.

Em outra notícia, o poder judiciário de Minas Gerais determinou ontem o bloqueio de R$ 50 milhões da mineradora Vale. O bloqueio servirá como garantia, enquanto a Vale remove moradores de uma área de risco na Barragem Doutor, no interior de Minas.

Pelo menos 45 plataformas de produção de petróleo e gás natural instaladas em Estados do Nordeste e Sudeste vão ser desligadas neste mês. Em carta a sindicatos de petroleiros, a Petrobras informou a paralisação das unidades, o que vai significar demissões e remanejamento de pessoal.

As medidas, no entanto, contribuem pouco para a meta de corte de 200 mil barris por dia (bpd) anunciadas para enfrentar a crise. O esperado é que muitas plataformas ainda entrem em hibernação e que centenas de funcionários deixem a empresa nos próximos meses por falta de espaço para recolocação interna.

O corte de produção faz parte da série de medidas que estão sendo tomadas pela empresa para fazer frente à atual crise do petróleo, em que o barril baixou ao patamar dos US$ 20. Segundo a empresa, com essa cotação, muitos dos seus ativos passaram a ser inviáveis e, mais do que nunca, o foco da companhia passou a ser o pré-sal.

Nem mesmo a Bacia de Campos, que já respondeu por 80% do desempenho do País e onde ainda existem áreas gigantes em operação, está fora do radar de corte da diretoria da petroleira. Por enquanto, os cortes no litoral fluminense foram pequenos, mas especialistas e fontes internas da empresa dizem que a redução vai ser mais profunda no Rio de Janeiro, até que os 200 mil bpd sejam alcançados.

As 45 plataformas paralisadas até agora, instaladas em águas rasas, somam pouco mais de 10 mil bpd de produção, o equivalente a 5% da meta de corte. Na Bacia de Campos, foram paralisadas seis unidades que, juntas, somam produção de 5,4 mil barris por dia (bpd), segundo dados do boletim divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na bacia do Ceará-Piauí, mais nove vão ser desligadas em quatro campos, o que representa menos 2,4 mil bpd. Em número de plataformas, o Estado mais atingido foi o Rio Grande do Norte, com 24 unidades, que somam 2,4 mil bpd.

Os cortes nas três bacias – Campos, Ceará-Piauí e Potiguar – representam, portanto, 10,3 mil bpd de produção. Há ainda seis unidades de produção na Bacia de Sergipe-Alagoas, mas não há dados oficiais dos volumes produzidos por essas unidades. Ao todo, são extraídos 3,6 mil bpd na região.

Trabalhadores relatam ainda a parada de duas plataformas na Bacia de Campos, a P-43 e P-48, instaladas no campo de Barracuda, que somam 43,5 mil bpd. Mas a paralisação dessas unidades ainda não foi formalizada.

Na carta, a empresa oferece três opções aos empregados das unidades que vão ser temporariamente desligadas: a realocação interna de acordo com a necessidade da empresa, a adesão ao plano de demissão voluntária e o desligamento individualmente por acordo. O questionamento dos sindicatos é sobre a capacidade da empresa de reter o grande número de funcionários que ficaram sem atividade, um volume de pessoas que tende a crescer ainda mais.

A Gol Linhas Aéreas comunicou na noite de ontem que chegou a um acordo para ser compensada financeiramente pela fabricante americana Boeing, que fornece as aeronaves Boeing 737 MAX que formam parte da frota da empresa brasileira. A Gol teve prejuízos após a maioria das agências reguladoras de aviação civil terem determinado que o Boeing 737 MAX não poderia mais voar, depois que dois acidentes, no final de 2018 e começo de 2019, na Indonésia e Etiópia, mataram mais de 300 pessoas. Segundo a Gol, com a determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), proibindo os voos do 737 MAX no Brasil, no primeiro trimestre de 2019, a empresa ficou com sete aviões deste modelo fora de serviço desde então.

Nos Estados Unidos, a agência federal de aviação civil, a FAA, também proibiu voos com o 737 MAX. Para a Gol, houve atraso e depois suspensão na entrega de 25 aviões 737 MAX programadas para 2019. “Isso impactou negativamente as operações da Gol, o seu crescimento e o seu plano de renovação de frota”, informou a empresa. “O acordo é composto por compensação em dinheiro e o cancelamento de 34 pedidos, reduzindo os pedidos firmes da Gol para aeronaves 737 MAX de 129 para 95”, informou a companhia. Desde a sua fundação em 2001, a Gol sempre operou com aviões 737 da Boeing, tendo comprado 250 aeronaves da empresa americana. O diretor-presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse que a empresa “segue totalmente comprometida com o 737 MAX como núcleo da sua frota”.

O poder judiciário de Minas Gerais determinou ontem o bloqueio de R$ 50 milhões da mineradora Vale, como garantia de “eventuais prejuízos decorrentes da remoção das pessoas residentes em uma área de possível alagamento, no caso de rompimento da Barragem Doutor”.

A Vale também deverá pagar 1 salário mínimo a cada adulto, meio salário mínimo a cada adolescente e um quarto de salário mínimo para cada criança removida do local, até o reassentamento definitivo. A Vale estima que 229 pessoas passarão a receber o auxílio emergencial. O pedido de bloqueio dos recursos e de outras medidas foi feito pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais. A Vale informou que começou a remover os moradores da área de risco em 16 de fevereiro, com o apoio da Defesa Civil. A empresa afirmou que “adotará as medidas necessárias para assegurar o seu direito de defesa”.

A JHSF, proprietária de shopping centers e empreendimentos imobiliários de alto padrão, fará uma emissão de debêntures simples e não conversíveis, para colocação privada, no valor de R$ 300 milhões. Segundo a empresa paulista, os papéis serão adquiridos pela True Securitizadora e oferecerão uma remuneração anual equivalente ao CDI mais juros de 1,55%. O prazo de resgate das debêntures é de seis anos e a JHSF informou que os papéis servirão para lastrear emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), “cuja liquidação ocorrerá nos próximos dias”. Com os recursos levantados, a JHSF informou que reduzirá o custo médio da sua dívida, obtendo uma economia de spread de R$ 6 milhões por ano, além do alongamento do prazo médio do seu endividamento consolidado.

Localiza (RENT3)

A Localiza Hertz realizará as suas assembleias gerais ordinária e extraordinária na sede da empresa, em Belo Horizonte (MG), às 9h30 do dia 23 de abril. Por causa da epidemia do coronavírus, a empresa ofereceu aos acionistas a possibilidade de acompanhar as assembleias por videoconferência – através da plataforma digital Microsoft Teams.

A locadora mineira também recomenda que, por causa da pandemia, os acionistas mandem os votos à distância, através do preenchimento e envio do boletim com antecedência. Quem optar por acompanhar as assembleias por videoconferência não terá direito a votar na hora ou a fazer perguntas. A Localiza Hertz informou que os pedidos para participar da assembleia por videoconferência poderão ser feitos até as 13 horas do dia 20 de abril, no endereço assembleia@localiza.com.

(Com Agência Estado)

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